Deus, o Sol e a Melatonina
A melatonina (N-acetil-5-metoxitriptamina) é um hormônio. É o produto de secreção da glândula pineal. A glândula pineal participa na organização temporal dos ritmos biológicos, atuando como mediadora entre o ciclo claro/escuro ambiental e os processos regulatórios fisiológicos, incluindo a regulação da reprodução, a regulação dos ciclos de atividade-repouso e sono/vigília assim como a regulação do sistema imunológico.
Em humanos, a melatonina tem sua principal função em regular o sono; ou seja, em um ambiente escuro e calmo, os níveis de melatonina do organismo aumentam, causando o sono. Por isso é importante eliminar do ambiente quaisquer fontes de som, luz, aroma, ou calor que possam acelerar o metabolismo e impedir o sono, mesmo que não percebamos (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Melatonina).
Em outras palavras, quando há luz solar, há uma depressão nos níveis deste hormônio para que o organismo esteja alerta e apto para as atividades diárias. Se assim não fosse, em estado de sonolência em muito estaria comprometida a atenção do organismo. De forma grosseira, pode se dizer que a melatonina age de forma contrária à adrenalina, esta responsável pelas ações rápidas e em emergências.
Assim, nos casos de pessoas cujas atividades laborais requerem delas a atenção durante o período noturno, existe um déficit de atenção, principalmente entre uma e três horas da madrugada, momento onde o corpo praticamente ‘implora’ por descanso. Este é o resultado de horas exposto à falta de iluminação, que culmina na liberação de grandes quantidades de melatonina.
A regulação deste hormônio é que nos faz dormir de noite e acordar quando o dia clareia (embora não de forma tão rígida). É um fato. É química. E sua alteração trás conseqüências duras para quem não respeita o ‘relógio biológico’. A mudança deste ciclo trará maior prejuízo, principalmente com déficits de atenção e aprendizado.
Mas no Acre tudo será mandado às favas. Por conta de atender aos interesses comerciais, notadamente bancários e da mídia televisiva, os relógios serão adiantados em uma hora a partir de 23 de junho de 2008.
Assim, quem acordava às seis horas pelo horário solar (ou pela marcação baseadas nos meridianos), vai passar a acordar às cinco horas. Os que acordavam por volta das cinco (notadamente crianças que vão à escola), agora o farão às quatro horas. Isso quer dizer que ao invés de acordarem com o raiar do Sol, o farão ainda com a noite.
Pelo que rapidamente foi exposto acima, têm-se que as pessoas submetidas a esta alteração provavelmente terão um déficit durante as primeiras da manhã, dado que os níveis de melatonina ainda estarão elevados e predispondo o organismo para o descanso e não para a faina diária.
Por outro lado, uma vez que o fim da jornada laboral se dará ainda com sol, haverá um problema na hora de dormir, onde os níveis de melatonina ainda estarão baixos. Para remediar, uma explosão no consumo de ansiolíticos pela noite e de cafeína (e outros estimulantes) pela manhã.
Tudo isso tendo sido patrocinado por uma lei proposta por um professor universitário do curso de medicina, cujas medidas, em defesa sabem-se lá de quem, que não respeita a própria ciência que ele mesmo deveria conhecer e ensinar.
Na sua ânsia de se aproximar da deidade, nosso bravo médico mudou a ciência geográfica, estuprou os princípios da medicina e esqueceu-se apenas de avisar ao sol, para que este aceite suas alterações legais e passe a nascer mais cedo e se por mais tarde. Mas está Lei é direito internacional e não pode ser modificada somente pelo congresso brasileiro.
PS: Se seu filho tiver problemas de aprendizado, leve ele ao médico-senador-professor e ele lhe explicará qual o motivo de atentar contra o desenvolvimento infantil.

Estou plenamente de acordo! A depressão, como doença do nosso século e do século passado, deve-se, essencialmente, à imposição da racionalidade consumista sobre o ritmo biológico e, acima de tudo sobre os direitos do ser humano como tal. Do ser humano que necessita sobretudo de respeitar os seus ritmos, isto é as suas necessidades básicas de alimentação, sono e, amor. Mente e corpo não estão clivados, são um só, não os separemos. É urgente aprender a respeitar-se como ser humano! Teresa Bastos Rodrigues (Psicoterapeuta)
Agosto 28th, 2008 | #