Coisas da Amazônia

Antes que o fogo aumente

Julho 2nd, 2008

Há mais de 20 anos tenho tido meus atos relacionados de uma forma ou de outra com Universidade Federal do Acre, local que considero minha segunda casa. Aqui tenho muitos amigos e outros nem tanto. Mesmo estes podem me acusar de muitas coisas, exceto de não ter lutado sempre por esta instituição.

Posso me considerar jurássico nesses 22 anos, dois vestibulares (aprovado em ambos) e uma seleção de mestrado, pois fui testemunha de diferentes reitores. O primeiro foi ainda Moacir Fecury, passando por Sansão Ribeiro (uma grata surpresa), Lauro Julião, Carlito Cavalcanti e Jonas Filho.

Em cada uma destas eleições estive mais ou menos próximo, seja como eleitor ou mesmo como jornalista em coberturas dos pleitos. E em cada uma delas vi pessoas saírem chamuscadas pelo calor da disputa. Isso aconteceu devido algumas pessoas esquecerem que o debate deve se manter no nível das propostas e jamais descambar para o pessoal.

Por conta disso e antes que o calor suba à níveis solares, defendo um compromisso por todos os candidatos com relação a dia seguinte ao resultado: um compromisso assinado de atuação conjunta em busca da universidade desejada por todos. Isso se dá pela necessidade de união entre todos para podermos ter a academia que queremos.

Não importa quem ganhe a maior fatia de votos. Todos temos com o que contribuir para esta casa ocupar o lugar de destaque merecido. E se há altruísmo por parte das candidatas, isso poderá ser comprovado na assinatura de um termo de gestão participativa, onde o grupo menos votado terá assento na administração de forma consultiva e propositiva. A forma como isso vai se dar é algo a ser discutido, mas precisa existir.

Mas é preciso ressaltar que o gesto de magnitude deve vir daquele que for mais votado. Isso se dá por conta do fato de que ao vencedor é requerido o maior gesto de grandeza e magnitude. Não importa quem seja, se o mais bonito ou mais florido. Todos têm de participar. Além disso, cada candidata tem por obrigação refrear os ânimos dos seus defensores como forma de engrandecer o certame.

Com a eleição se pautando nos mais elevados níveis, será possível sair desta disputa com um compromisso em defesa da universidade. Hoje a instituição está desgastada, com a imagem esmaecida por conta daquilo que pode mas ainda não conseguiu ser.

A meu ver, todos temos com o que contribuir, seja com idéias ou atos. Não posso excluir este ou aquele por conta de sua graduação ou cor política.

Mesmo que não concorde com todas as idéias do grupo vencedor, sempre haverá uma ou mais capazes de melhorarem o conjunto. Além disso, se eu participar de forma propositiva, posso ver as minhas indicações sendo absorvidas e desenvolvidas.

É lógico que isso não significa chancelar o errado e nem trazer para a situação o grupo de oposição. A oposição é salutar e toda crítica é construtiva, desde que esta seja feita dentro dos princípios da ética e do respeito.

Sem crítica, não há avanço. Sem fiscalização, não há lisura.

Mas ficar somente bradando aos quatro ventos os problemas, é cair na mesmice, a qual resulta no descrédito por falta de solução. Entendo que encontrar problemas é a coisa mais fácil. Porém, contribuir para se encontrar a solução deve sempre ser o principal objetivo, pois a partir disso existirá a construção de um amanhã melhor.

Ficar no discurso de esquerda e direita não elevará esta academia. Todos temos como contribuir. E isso deverá começar agora, com um compromisso das duas candidatas em viabilizar uma gestão participativa. Quem não for capaz deste gesto, não merece estar à frente desta Casa do Saber. É como eu penso.

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