Coisas da Amazônia

O meu é maior que o seu

Julho 15th, 2008

Nos últimos dias, onde os ventos que aqui na UFAC tem soprado com força cada vez maior sobre o braseiro da eleição para reitor (ou seria reitora?), tenho visto algumas cenas no mínimo interessantes.

Parece ter havido uma exacerbação do machismo entre os eleitores, notadamente entre os técnico-administrativos e os professores. Independente do sexo de cada um, passaram a medirem-se, como se a solução dos problemas estaria no fato de um ser maior que outro.

Explico: tem professores que estão reclamando do voto paritário por não aceitarem ter o mesmo peso de um funcionário quando da votação citada. Ou seja, o meu canudo  é maior que o seu (desculpe o trocadilho chulo). Para estes defensores da meritocracia somente o tamanho do DR é importante, independente, nestes casos, do perfil humano ou moral de quem ostenta o canudo/diploma.

Recentemente ouvi de um professor doutor a reclamação dando conta do absurdo de um servidor semi-analfabeto (palavras dele) receber um salário superior. Disse não conceber este tipo de coisa na academia. Ou seja, o dele é maior que o meu. E isso me deprime muito.

Atualmente não ganho lá estas coisas, embora dê para sobreviver. Mas se tem uma coisa a me alegrar é saber de alguns amigos meus que conseguiram galgar postos elevados, chegando a secretários de Estado e com títulos de Doutor. Outros (e estes) que não estudaram tanto estão ganhando muito bem. E isso também me alegra.

Não sei de foi a criação ou foi a vida, mas sei que se os meus amigos estão felizes e realizados, parabéns para eles. Fico feliz com isso e espero um dia ser tão grande quanto eles (ou quase tanto).

Entendo não poder pautar minha vida pela deles. As minhas chances, se não soube aproveitar, azar o meu. Se eles foram favorecidos, sorte deles. Não importa o tamanho do canudo ou do contracheque. Importa é ser digno. E isto nenhum salário ou diploma vai conseguir.

Se o servidor entrou na UFAC antes da Constituição de 1988 (obrigou os concursos), sorte a dele. Eu não atentei para isso na época e hoje estou fora (e também por não ter tentado entrar via estudo e concurso). Sorte a dele. Não invejo.

A maior parte das pessoas que reclama bem que gostaria de ter entrado na época das ‘vacas gordas’ do QI. Afinal era legal, ainda que moralmente questionável.

Um outro fato é preciso ser salientado: os servidores têm um poder de mobilização muito maior que os professores. Os ganhos nas últimas paralisações provaram isso. A carreira de técnico hoje é tão atraente quanto à de docente.

Conforme tem sido possível notar, tem havido uma mesquinharia nesse jogo, onde as pessoas não são importantes pelo fato de serem quem são, mas sim pelo grau de escolaridade ou mesmo pelo volume na conta bancária. Se o seu é maior que o meu, você está errado. Ou vice-versa.

É preciso ressaltar ter sido no seio das universidades federais que o PT teve seu impulso. Muitos dos ‘criadores’ de Luis Inácio Lula da Silva estão dentro delas. Ora, se podemos ter um presidente com pouco grau de formação, qual o motivo para em uma eleição - ou mesmo no dia-a-dia – não convivermos pacificamente?

Excluindo-se as ilegalidades, o resto é convivência harmônica e pacífica. Independente de quem tem o maior ou o menor. Todos são importantes. Todos têm responsabilidades. E na UFAC tem gente boa e ruim tanto entre professores quanto entre administrativos. Logo, o tamanho (seja do canudo ou do salário) não é e nunca foi documento, exceto para aqueles a quem falta o argumento.

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