Coisas da Amazônia

Passos para um novo tempo

Setembro 8th, 2008


A cada mandato iniciado as comunidades envolvidas acreditam ser possível a chegada de um novo tempo, onde as perspectivas de futuro são mais alvissareiras que as anteriores. A mudança no comando causa essa expectativa.

Com a eleição de uma mulher para conduzir os destinos da Universidade Federal do Acre surge uma esperança no futuro da Academia. A vitória nos três segmentos, em que pese à baixa participação de alunos, oferece o capital político para as mudanças.

Ocorre que ao longo dos anos ainda não formamos uma idéia a respeito da Universidade que temos e da desejada. Muito se tem falado, em todos os segmentos, sobre o perfil da UFAC. Mas até hoje isso ainda não foi definido. Ainda somos como a Alice (Lewis Carrol), onde qualquer caminho serve para quem não sabe aonde vai.

Uma das possibilidades para resolver este impasse é o planejamento. Mas, como bem citou Umberto Eco (Como se faz uma tese, 1977), todos governantes que se decidem por um plano de desenvolvimento sem possuir as informações suficientes são pouco mais que truões, quando não celerados. Assim, para se definir os rumos e os princípios norteadores da UFAC será preciso ouvir a comunidade.

Uma das formas mais democráticas de se traçar estas metas de curto, médio e longo prazo é a realização de seminários envolvendo a todos, inclusive a comunidade em geral. E quando se fala desta, é preciso ressaltar a necessidade de envolver os grupos com menos votos na eleição. Afinal, a reitora não é a chefe deste grupo, mas representa toda uma comunidade com mais de nove mil pessoas envolvidas diretamente (40 mil se extrapolada para cinco pessoas por família).

Nossa sugestão é a realização de um grande seminário, com a duração de três a cinco dias, onde UFAC parará suas atividades para definir seu futuro. Nesse encontro, que poderá ser bi-anual para avaliações e correções de rumos, cada categoria tem dois dias para se reunir em separado e dentro do Campus. Cada categoria vai listar seus problemas e apontar soluções, bem como definir os meios para resolvê-los. Cada medida prevista deverá levar em conta os critérios de custo / benefício / impacto (abrangência). Os grupos devem ser conduzidos pelos seus pró-reitores (Servidores=Administração, Alunos=Extensão/Graduação, Professores=Pós-graduação/Graduação).

Ao fim de cada reunião setorial, os grupos elegerão seus representantes (mínimo de cinco e máximo de 10) para a etapa seguinte, onde os itens identificados como capazes de modificarem de forma impactante os destinos da comunidade vão ser defendidos e definidos. Este grupo menor, com cerca de 30 pessoas, encontraria os pontos comuns e apontaria os rumos para a universidade, com intervenções de curto, médio e longo prazo.

Mas o trabalho não termina aí, como na maioria dos eventos deste tipo. É aqui que encontramos a mão do gestor, onde este nomearia uma comissão de notáveis, independente do setor, mas de preferência com representação de todos os segmentos. A esta comissão caberia de formatar o Plano Gestor da UFAC para os anos vindouros.

De posse destes dados, o administrador tem os argumentos para buscar os instrumentos para viabilizar as políticas defendidas e escolhidas pelas categorias que compõem a Academia. Aqui entram setores chaves como as pró-reitorias e os setor de relação interinstitucional, responsável pelos contatos com outros organismos, além do apoio da comunidade e dos políticos.

Paralelo a isso é necessário a criação da Ouvidoria da UFAC. Esta será a responsável pela ligação entre Reitoria e a comunidade, seja para trazer as reclamações de como proceder aos pequenos ajustes que não envolvam ações diretas das outras instâncias administrativas (leia-se pró-reitorias).

Assim municiada, a reitora tem como fazer a revolução que a Universidade precisa. Espera-se que ações como essa sejam implementadas. Talvez hoje a UFAC tenha as condições ideais para se promover um choque de gestão e resgatar a importância que esta casa tem para o Estado e, por que não dizer, a Região e o País. Mas para isso é preciso que uma das primeiras resoluções da nova administração seja a convocação do seminário supra para ocorrer nos primeiros dias da nova gestão e depois aplica-los. É como penso.

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