Coisas da Amazônia

A monolética

Setembro 30th, 2008


Como é do conhecimento de todos, tenho uma paixão pela UFAC. Tudo está justificado nesses 22 anos de idas e vindas, entre graduação e pós-graduação. Mas um fato sempre me chamou a atenção aqui: o pouco espaço para o debate. Mesmo sendo na Academia onde deveria se dar a discussão das idéias, na UFAC isso tem ocorrido poucoç. Ou talvez bem menos do que deveria.

Inicialmente vou me valer da internet, mais precisamente da Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dial%C3%A9tica) e do descarado ‘ctrl’ ‘C’ > ‘ctrl’ ‘V’, até por ser um facilitador para adentrar no tema e para checagem. Peço que desculpem meu pouco conhecimento de filosofia e, quem sabe, alguma distorção no pensamento.

Inicialmente vamos clarear as idéias sobre o que é Dialética. Na Grécia Antiga era a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias. Com o tempo passou a ser a arte de demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão. É a técnica de perguntar, responder e refutar.

Platão considerava que apenas através do diálogo o filósofo deve procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e chegando ao mundo das idéias. Pela decomposição e investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também deve ser examinada, num processo infinito que busca a verdade.

Os elementos do esquema básico do Método Dialético são a tese, a antítese e a síntese. A tese é uma afirmação ou situação inicialmente dada. A antítese é uma oposição à tese. Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese, então, torna-se uma nova tese, que contrasta com uma nova antítese gerando uma nova síntese, em um processo em cadeia infinito. Por enquanto nos bastam estas explicações.

Mas apesar de ser uma forma de pensamento quase unânime dentro da academia, quem se ‘astreve’ a tentar implementa-la corre o risco de ser banido e tornar-se um paria dentro da instituição. É, pois aqui quem se insurge contra uma corrente de pensamento ou grupos é excluído. Não pode haver contraditório.

A questão não passa apenas pela questão acadêmica, mas perpassa as ações e permeia as eleições e consultas, chegando aos setores de trabalho. Não somos mais separados pelos nossos ideais e idéias, mas pela vontade dos caciques dos grupos.

Se você é marxista, será destruído pelos neo-liberais. Se você é criacionista, será atacado pelos evolucionistas. Se você é ateu, será malhado pelos fanáticos.

Se na revolução francesa se valorizou as diferenças (vive la difference), a ação seguinte da nobreza volveu ao que estava antes. Aqui só se faz isso. Só o depois tem sido regra.

Em muitas salas de aula o que se tem visto é somente a opinião do professor. Nos setores de trabalho, vale apenas a opinião do chefe (ainda que esta possa ser totalmente errada). É claro que ouvir não significa seguir e nem sempre a opinião da maioria é a correta. Mas se negar à contestação e ao contraditório não é científico. É burrice.

Mas, partindo para os ‘finalmentes’, voltamos (ôxe, vai e volta) à Wikipédia, onde lê-mos: Diálogo é uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas. Um monólogo é uma longa fala ou discurso pronunciado por uma única pessoa ou enunciador. (radicais gregos monos-um + logos -palavra).

Como base nesses prolegómenos, vemos que existem muitos setores da Academia que não optam pela cientificidade do contraditório, mas seguem a versão mais truculenta da imposição e do cerceamento da discussão. Estes ditadores, sejam eles os ‘chefetes’ ou ‘professoretes’, estão mais para os ditadores a la Idi Amin Dada do que para filósofos do quilate de um Platão ou Sócrates.

Estes são os adeptos da Monolética, uma deformação da Dialética. Nessa corrente do Eu-Posso-Mais (por ser superior hierárquico ou possuir mais diplomas) não há oposição. E por ser uma violação das leis da física (sem oposição não há sustentação), estão fadados ao desaparecimento e a serem lembrados apenas nas páginas mais negras da história.

(OBS: itens em destaque são links para outras homes)

Não Há Comentários »

Ainda não há comentários.

Deixe um comentário

:mrgreen: :neutral: :twisted: :shock: :smile: :???: :cool: :evil: :grin: :oops: :razz: :roll: :wink: :cry: :eek: :lol: :mad: :sad:

Escreva a palavra que esta na imagem de forma a validar o seu comentário.
Imagem Anti-Spam

RSS feed for these comments. | URI do TrackBack

Google