Respeitante
Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Estas palavras foram ditas por Voltaire, em 07/02/1778 na Loja maçônica Les Neuf Soeurs-Paris. Voltaire era o alter ego (ou alterego, do latim alter = outro ego = eu) de François-Marie Arouet (Paris, 21 de Novembro de 1694 – 30 de Maio de 1778), um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês. Ele defendia a liberdade de ser e pensar diferente (Santa Internet e Santa Wikipédia, que nos socorrem com presteza e rapidez nestas oras de escrita).
Mas qual o motivo de estar eu escrevendo isso depois de algumas semanas de silêncio?
É que para mim, escrever deve vir de uma vontade superior às nossas forças. E foi quando vi que se aproximam novas edições da ‘Parada do Orgulho Gay’ ou simplesmente ‘Parada Gay’, resolvi voltar às letras (ou às teclas).
Há algum tempo, cerca de um ano, um conhecido meu, homossexual assumidíssimo, perguntou-me se eu não tinha ido ver ou participar de tal ‘parada’. A isso eu respondi não ser nem gay, nem lésbico, nem simpatizante ou mesmo transexual. Nem mesmo simpatizante da causa eu era (e não sou). Mas disse a ele fazer parte de outra categoria: a dos respeitantes.
Em nenhum momento apoiei o movimento de homossexuais. Não acho certo o que fazem, seja por opção sexual, seja por uma questão de ‘pele’, por questões de biologia reprodutiva ou mesmo religiosas. Enfim, nada nessa apologia a relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo merece, na minha opinião, meu apoio.
Preciso ressaltar aqui, em um parêntese, já ter sido xenófobo quando mais novo. Cheguei até mesmo achar graça quando diziam que ‘viado bom é viado morto’. Peço perdão pelo chulo e até por já ter participado de conversas deste naipe. Mas com o passar dos anos nos tornamos mais amadurecidos e entendemos um pouco mais dos direitos de todos. Principalmente de algo fundamental em nossa vida: o livre arbítrio.
Voltando ao tema. Assim, por defender o direito das pessoas de se manifestarem sobre os mais diversos assuntos e de seguirem as orientações de seu coração e mente, respeito as lutas deste grupo.
Posso até não concordar com a forma como é feita, ou seja, um carnaval fora de época com pessoas depravando-se em todos os sentidos, ainda que não todos. Afinal, não me apetece o escândalo de alguns, sendo estes os mais mostrados pela mídia insana em buscas das imagens mais grotescas. Por isso nem mesmo assisto as reportagens. Mas para isso se fez o controle remoto e existem vários canais de televisão. E eu exerço o meu direito de não ver sem restringir o direito dos outros se manifestarem e chamarem a atenção para sua luta.
A democracia é um sistema onde todos podem se manifestar. É o sistema do contraditório, onde se aplica mais claramente o princípio do Yn e Yang ou da oposição em todas as coisas. As oposições de idéias são as bases deste sistema. E por isso, muitas vezes, temos de conviver com atos e fatos com os quais não concordamos, mas respeitamos.
O conceito de certo ou errado é amplo. Elástico tanto quanto as nossas leis dos anos 30 e 40, ainda em vigor e com pouca correlação no mundo moderno. Assim, não serei eu a dizer quem está errado ou certo. Por não concordar com que os outros fazem não quero afirmar minha certeza, mas apenas colocar um ponto de vista. O julgamento? Aos Juízes.
Nessa linha de raciocínio volto a repisar a figura do respeitante no que tange ao Movimento Gay. Assim, faço minhas as palavras do pensador, com as devidas adequações aos tempos e aos fatos:
Não concordo com nenhum dos atos que vocês cometem, mas defenderei até a morte o direito de vocês se manifestarem, desde que de sua manifestação não resultem reflexos negativos em minha vida ou na dos que me são caros.