Células-Tronco: Contra ou favor

Maio 28th, 2008

A questão das células-tronco é algo que envolve diversas visões sobre um mesmo problema. Inicialmente têm-se questão religiosa, onde o conceito do início da vida varia de denominação para denominação, havendo contras e a favor. Mas de maneira geral cada uma tem suas restrições. Existe ainda o fato de que dois espíritos não ocupariam o mesmo corpo e que a vida propriamente dita só ocorreria com o “sopro da vida”, ao nascimento.

Do ponto de vista biológico também há divergências, pois para alguns o começo seria a partir da formação da rede neurológica ou o momento em que as informações neurológicas começam a serem recebidas pelos neurônios. Ou seria quando estes se formam? Ou, quem sabe, quando as sinapses estariam aptas para sua função?

Mas, poderia ser a partir da formação do que entendemos como sendo os rudimentos do cérebro. Mas neste caso, como explicar que crianças anencéfalas sobrevivem por algum tempo após a concepção?

Poderia ser também a partir do momento que o feto já tem condições de vida ultra-uterina. Isso ocorre por volta do quinto mês de gestação. Porém, se assim fosse, a pesquisa com células-tronco poderiam se dar até aí, ampliando o tempo para abortos.

Se a vida acaba com o fim da atividade cerebral, qual o motivo de tantas pessoas com morte cerebral permanecerem respirando mesmo depois que os aparelhos são desligados. E o que dizer dos casos de pessoas nestas condições que voltaram a realidade?

Existe também o apelo emocional de paraplégicos e portadores de doenças degenerativas se arrastando ou tremendo em frente de câmeras. Sem falar em outras patologias, como as distrofias, alzheimer, etc.

Assim, a vida como conhecemos ainda é uma incógnita. Espiritual e tecnicamente não há como saber onde ela começa.

Mas se sabe onde termina. E disso temos a certeza: a morte é a incapacidade de uma célula se manter e reproduzir. Mas aí surge outro complicador: a célula tronco não mantém seu poder de vida? E se assim é, não está sendo utilizada uma fusão de vidas, findando a forma original para dar suporte à outra?

Mas um outro ponto ainda não se viu ser debatido: Qual é o tamanho dos bancos de células embrionárias descartadas pelas instituições de fecundação in vitro? Além disso, qual o custo da manutenção destes (os embriões têm de ser mantidos em criogenia)?

A isso se some o fato de que com a liberação de pesquisas pode ter-se uma explosão das fecundações artificiais com o único fito de se obter uma superprodução de células não fecundadas para o uso em pesquisas. As quais seriam compradas e formariam um mercado de vendedor, coletor e distribuidor.

É possível que por trás deste discurso científico esteja um grande mercado para os embriões descartados. Principalmente quando se puder procurar pessoas com DNAs compatíveis, as quais serão e$timulada$ a produzirem e venderem seus embriões.

Não tenho posição fechada sobre o tema. Apenas acho que muito pouca ciência está sendo aplicada e que um grande nicho comercial está sendo gestado por baixo deste discurso todo e do apelo que este tema tem suscitado. Um jogo onde setores da mídia se envolvem por conta da comoção e, com isso, atropelam a discussão sobre o tema.

Se matar um ser humano (ainda que em sua forma primária de vida) para salvar outro for justificado, devemos rever a história e render loas a Joseph Menguele, pois muitas das mortes violentas, grotescas e desprezíveis perpetradas por ele foram com este objetivo.

Somente para terminar: existem células tronco tão boas quanto as embrionárias em diversas partes do corpo, a começar pelo cordão umbilical de bebês e até na pele adultos. Mas pouco se explora sobre isso. Por quê?

Régis Paiva, Eng. Agr. MSc.

Só para tira-gosto e reflexão

Maio 21st, 2008

Maiakovisky poeta russo "suicidado" na revolução de Lênin, escreveu (início do século XX):

Na primeira noite eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem : pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Martin Niemöller; pastor protestante, símbolo da resistência aos nazistas, escreveu (1933):

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei . No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar…"

Bertold Brecht (1898-1956), também escreveu sobre o mesmo tema:

Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados, Mas como tenho meu emprego Também não me importei Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo.